Um burro carregando bagagem por uma rua encalada do porto, sem carros à vista

As melhores ilhas sem carro do mundo

Sem motores, sem trânsito, só ferries, caminhos, bicicletas e uma charrete puxada a cavalo de vez em quando.

É surpreendente quantos lugares no mundo simplesmente nunca deixaram o carro entrar: alguns por lei, outros porque nunca construíram uma ponte, outros porque a ideia era justamente manter tudo como era. Este guia reúne os melhores, de um porto mercantil grego onde mulas ainda carregam a bagagem a uma ilha dos Grandes Lagos que baniu os motores em 1898 e nunca voltou atrás.

Por que algumas ilhas proíbem carros por completo

Os motivos variam, mas costumam se resumir a um de três: geografia (não há espaço para estradas num vilarejo portuário colado ao penhasco), história (a proibição é anterior ao carro e nunca foi revogada), ou uma escolha deliberada de proteger um lugar frágil do barulho, da fumaça e do trânsito. Em todos os casos, os ferries fazem o trabalho pesado: carros precisariam de um ferry de veículos caro, enquanto pessoas e bagagem viajam em barcos de passageiros comuns.

Se locomover uma vez lá quase sempre significa a mesma lista curta: caminhar, bicicleta, pequenos carrinhos elétricos e, em algumas ilhas, cavalos. Os serviços de emergência, coleta de lixo e entregas costumam ser a única exceção, com uns poucos veículos utilitários pequenos que os moradores já quase nem notam.

O Egeu: Hydra e suas vizinhas tranquilas

Hydra proíbe veículos motorizados desde muito antes de o carro existir para ser proibido. As íngremes ruelas de pedra da ilha foram feitas para mulas, e as mulas ainda carregam a bagagem do porto até as pousadas hoje em dia. Ferries rápidos chegam a Hydra vindos do Pireu, o porto de Atenas, em cerca de 1h30 a 2h, tornando-a um bate-volta fácil ou uma pernoite tranquila.

Hydra é a mais conhecida, mas não está sozinha: um punhado de ilhas menores do Dodecaneso, como Halki, perto de Rodes, mantém apenas alguns poucos veículos simbólicos para serviços e fica quase totalmente sem carro para todo o resto. A frequência de ferries para essas ilhas menores cai bastante fora da temporada de verão, então vale a pena conferir os horários antes de montar um roteiro apertado em torno delas.

Norte da Europa: Sark e Giethoorn

Sark, uma das Ilhas do Canal no Bailiado de Guernsey, nunca permitiu carros particulares: moradores e visitantes se locomovem de bicicleta, a pé ou de charrete puxada a cavalo, e os tratores da ilha são o mais motorizado que se vê por lá. Os ferries a partir de Guernsey levam cerca de 45 minutos a uma hora, dependendo da operadora e das condições do mar.

Giethoorn, na Holanda, tecnicamente não é uma ilha, mas boa parte do vilarejo não tem acesso por estrada nenhum — as casas ficam ao longo de uma rede de canais, e ir de uma a outra tradicionalmente significava um pequeno barco de fundo chato em vez de um carro. Ganha seu lugar nesta lista por ter construído um vilarejo inteiro em torno da mesma ideia que uma ilha impõe pela geografia.

  • Sark — chega-se de ferry a partir de Guernsey; bicicletas e charretes para alugar na chegada.
  • Giethoorn — chega-se de trem até Steenwijk ou Zwolle e depois um ônibus local; barcos a vara e bicicletas cobrem o vilarejo.

América do Norte: Mackinac Island

Mackinac Island, no lago Huron, em Michigan, proibiu veículos motorizados em 1898 depois que eles não paravam de assustar os cavalos, e simplesmente nunca mais os deixou voltar. Mais de um século depois, bicicletas e táxis e charretes puxados a cavalo continuam sendo a única forma de circular, ao lado de uma rua principal cheia de lojinhas de doces feita exatamente para esse ritmo de vida.

Os ferries de passageiros saem de Mackinaw City e St. Ignace, dos dois lados do estreito de Mackinac, com uma travessia de cerca de 15 a 20 minutos: frequentes no verão, bem reduzidos ou substituídos por outros meios quando o lago começa a congelar.

Itália: Veneza e o Lido

As ilhas históricas de Veneza nunca tiveram estradas para carros — a cidade foi construída sobre a água muito antes do automóvel, e suas pontes e vielas são dimensionadas para pessoas, carrinhos de bagagem e algum carrinho de mão ocasional. Tudo se move de vaporetto, táxi aquático, gôndola ou a pé, e funciona numa escala que poucos outros lugares conseguem igualar.

O Lido, a ilha-barreira do outro lado da lagoa, é a exceção que vale conhecer: ao contrário do centro histórico, permite um número limitado de veículos locais e alugados. Ainda assim, a maioria dos visitantes prefere a bicicleta ou o vaporetto para explorar suas praias e vilas estilo Liberty; os poucos carros por ali funcionam mais como pano de fundo do que como necessidade.

Perguntas frequentes

Qual é a ilha sem carro mais famosa?

O centro histórico de Veneza é provavelmente o lugar sem carro mais conhecido do planeta, embora tecnicamente seja um conjunto de ilhas, não uma só. Como exemplo de uma única ilha clássica, Mackinac Island nos Estados Unidos e Hydra na Grécia são as duas mais citadas.

Como se locomover numa ilha sem carro?

Caminhar dá conta da maior parte, já que essas ilhas costumam ser pequenas e compactas por natureza. As bicicletas são a próxima opção mais comum, seguidas de charretes ou táxis puxados a cavalo em algumas ilhas, e pequenos barcos onde os canais substituem as ruas, como em Giethoorn.

Existe algum veículo nessas ilhas?

Normalmente poucos, reservados a serviços essenciais: caminhões de bombeiros, ambulâncias, coleta de lixo e entregas costumam ter uma exceção mesmo onde a proibição geral é rígida. Em Mackinac Island e Sark, costumam ser tão poucos que os visitantes quase não os notam.

Giethoorn é realmente uma ilha?

Não — é um vilarejo no continente holandês, não cercado por água aberta. Ganha um lugar nesta lista porque boa parte dele não tem acesso por estrada, com casas ligadas por passarelas e canais em vez de ruas, produzindo a mesma sensação sem carro de uma ilha de verdade.

Devo reservar os ferries com antecedência?

Vale a pena na alta temporada: as rotas para Hydra, Mackinac Island e Sark têm um pico de tráfego no verão, e a última saída do dia pode esgotar. Fora dos meses de pico, bilhetes de última hora costumam bastar, mas sempre confira se o horário reduzido de baixa temporada ainda permite voltar antes da última partida.